Nova York: a cidade que eu sempre escolho no inverno

Há cidades que a gente visita. E há cidades para as quais a gente sente que precisa voltar. Nova York, para mim, pertence à segunda categoria. Em breve…

por Ana Lorenzetti· ·4 min de leitura
Nova York: a cidade que eu sempre escolho no inverno

Há cidades que a gente visita. E há cidades para as quais a gente sente que precisa voltar.

Nova York, para mim, pertence à segunda categoria.

Em breve, estarei embarcando novamente para aquela que considero a cidade mais linda do mundo. Será a minha sexta vez em Nova York. E existe uma curiosidade nessa história: todas as vezes em que escolhi voltar, escolhi também a mesma estação o inverno.

A estação que me fez apaixonar por Nova York

Pode parecer estranho para quem sonha com os dias ensolarados no Central Park ou com as temperaturas agradáveis da primavera nova-iorquina. Mas foi justamente no frio que Nova York me conquistou. Existe alguma coisa no inverno que transforma a cidade.

Talvez sejam os casacos elegantes cruzando apressados pelas calçadas de Manhattan. Talvez seja o vapor subindo das ruas, o café quente entre as mãos, as luzes refletindo nos prédios ou aquela sensação deliciosa de entrar em um lugar aquecido depois de caminhar por quarteirões sob temperaturas baixíssimas.

E, claro, existe a neve. Nem sempre ela aparece quando queremos. E aprendi que jamais devemos viajar contando com ela. Mas, quando acontece, Nova York muda diante dos nossos olhos.

Quando Nova York parece cenário de cinema

O Central Park coberto de branco é uma daquelas imagens que parecem pertencer ao cinema. Os caminhos ficam mais silenciosos, os prédios surgem ao fundo entre as árvores e, por alguns instantes, é difícil acreditar que estamos no coração de uma das cidades mais agitadas do planeta.

É uma Nova York diferente. Mais cinematográfica. Mais elegante. Talvez até mais romântica. E eu amo justamente esse contraste.

A cidade continua pulsando. Os táxis continuam passando, o metrô continua levando milhões de histórias de um lado para o outro, Times Square continua iluminada e as pessoas continuam andando depressa. Mas o inverno parece colocar uma espécie de filtro sobre tudo.

Nova York fica ainda mais Nova York.

Os pequenos rituais que me fazem voltar

Nas minhas viagens, criei pequenos rituais que talvez expliquem por que continuo voltando: caminhar sem pressa por Manhattan, entrar em uma cafeteria simplesmente porque o frio pediu, observar a cidade de algum ponto bem alto, atravessar o Central Park completamente agasalhada, descobrir um restaurante novo, voltar aos lugares que amo e sentir aquela felicidade quase infantil quando vejo os primeiros flocos de neve.

E talvez esteja aí o segredo de uma cidade que nunca se esgota.

Você pode visitar Nova York seis vezes e ainda sentir que falta alguma coisa.

Uma rua que não percorreu. Um restaurante que não conheceu. Um museu ao qual precisa voltar. Um rooftop com uma vista diferente. Um bairro que merece um dia inteiro. Uma esquina que você atravessou tantas vezes sem perceber o que havia nela.

Nova York tem essa capacidade extraordinária de nunca terminar.

A cada viagem, uma Nova York diferente

É por isso que, quando alguém me pergunta: “Mas você vai para Nova York de novo?”, eu sorrio. Vou!

Porque algumas viagens são feitas para conhecer lugares. Outras são feitas para reencontrá-los. E eu já entendi que minha relação com Nova York é um pouco assim: a cada viagem encontro a mesma cidade e, ao mesmo tempo, uma cidade completamente diferente.

Talvez porque Nova York mude o tempo todo. Talvez porque eu também mude entre uma viagem e outra.

Minha sexta vez em Nova York

Agora, enquanto me preparo para viver minha sexta experiência nova-iorquina, novamente no inverno, percebo que já não volto apenas para ver a cidade. Volto para sentir aquilo que ela desperta em mim.

A liberdade de caminhar sem destino. A curiosidade. A vontade de descobrir. A sensação de que alguma coisa interessante pode estar acontecendo logo depois da próxima esquina.

E aquele frio no rosto que, curiosamente, já se tornou parte das minhas melhores lembranças de viagem.

Há quem prefira Nova York na primavera. Há quem sonhe com o outono no Central Park.

Eu escolhi o inverno. Ou talvez, depois de seis viagens, tenha sido o inverno de Nova York que me escolheu.

E enquanto essa cidade continuar conseguindo me surpreender, eu sei que ainda haverá uma próxima vez.

Porque Nova York é uma daquelas cidades que você pode visitar muitas vezes, mas nunca consegue dizer que terminou de conhecer.

Ana Lorenzetti
Ana LorenzettiApaixonada por viagens, histórias e pelas experiências que existem por trás de cada destino. Em suas palavras, Ana transforma lugares em memórias e convida o leitor a enxergar o mundo com novos olhos.@anac.lorenzetti

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