Guias de Nova York

Nova York: a cidade que mora na nossa imaginação

Antes de pisar aqui, eu já conhecia Nova York pelos filmes, pelas séries e pelas histórias de quem veio antes. Hoje moro na cidade que existia só na minha cabeça — e é daqui que começo esta coluna.

por Sabrina Monteiro· ·3 min de leitura
Rua do centro de Manhattan ao fim da tarde, com o One World Trade Center ao fundo

É uma honra estar aqui, abrindo este espaço e podendo compartilhar um pouco da minha história, das minhas experiências e, principalmente, da minha relação com uma cidade que há tantos anos faz parte do meu imaginário. Obrigada pelo convite e pela confiança para inaugurar esta coluna. Espero que, a partir daqui, a gente possa construir juntos muitas histórias sobre Nova York.

Eu já conhecia Nova York antes de conhecer

Antes mesmo de pisar aqui, eu já conhecia a cidade de alguma forma. Conheci pelos filmes, pelas séries, pelos musicais, pelas fotografias e pelas histórias de quem veio antes de mim.

Conheci aquela Nova York cinematográfica: os táxis amarelos, as luzes, os prédios, os parques, as vitrines e as pessoas andando apressadas pelas ruas. Uma cidade que, mesmo tão distante, parecia familiar.

E aposto que isso também aconteceu com muitos de vocês. Nova York tem esse poder curioso de entrar na nossa vida antes mesmo de a gente colocar os pés aqui.

Mais do que um lugar: um estado de espírito

Depois de tantos anos vivendo aqui, uma coisa que aprendi é que Nova York não é apenas um lugar. Existem poucas cidades no mundo capazes de ser, ao mesmo tempo, uma cidade e um state of mind — um estado de espírito.

Aqui existe uma liberdade muito particular. A liberdade de experimentar, de mudar, de recomeçar, de se reinventar. De ser quem você é, ou até de descobrir quem você pode ser.

Um convite a quem está chegando: permita-se

Por isso, para quem está vindo para Nova York, eu deixaria um convite: permita-se.

Seja você mesmo, mas permita também que a cidade extraia o melhor — e até o pior — de você.

Existe um ditado que diz que, quando saímos do hotel pela manhã, somos uma pessoa, e quando voltamos para dormir, somos outra. Será?

Talvez Nova York não transforme quem somos. Talvez ela simplesmente nos permita acessar partes nossas que estavam adormecidas — porque a rotina que a gente vive muitas vezes impede que a gente sonhe.

A cidade provoca

Ela provoca sonhos, coragem, pressa, encontros, desencontros, ambição, medo, descobertas. Pode fazer você se sentir pequeno diante dos arranha-céus e, no minuto seguinte, fazer você acreditar que pode conquistar qualquer coisa.

Nova York te coloca em movimento. E talvez seja justamente por isso que ela mexa tanto com a gente.

De sonho de adolescente a endereço

Quando eu era adolescente, sonhava em conhecer esta cidade. Imaginava como seria caminhar por estas ruas, ver de perto os lugares que eu conhecia apenas pela televisão e viver, nem que fosse por alguns dias, aquela Nova York que durante tanto tempo existiu apenas na minha cabeça.

Hoje, aquela adolescente não apenas está aqui. Ela mora aqui.

E existe algo ainda mais especial nisso: eu tenho o privilégio de compartilhar essa experiência com outras pessoas. De apresentar a cidade para quem está chegando pela primeira vez, de contar suas histórias, seus detalhes, seus encantos e também suas contradições.

Talvez essa seja uma das partes mais bonitas da minha história com Nova York: um sonho que começou como imaginação acabou se transformando em vida.

O que vem por aí

E é desse lugar que eu começo esta coluna. Com a gratidão de quem um dia sonhou em estar aqui e, hoje, pode ajudar outras pessoas a viverem os próprios sonhos nesta cidade.

Que venham as próximas histórias. Que venham as próximas descobertas. Que venham os próximos anos de Nova York.

Sabrina Monteiro
Sabrina MonteiroMora em Nova York e recebe brasileiros na cidade. Escreve aqui sobre morar, descobrir e apresentar a cidade para quem chega.@sabrinaemny no Instagram